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quarta-feira, 18 de março de 2015

CALDARELLI, O REI DO GADO

   Desde o surgimento do futebol até os dias de hoje, muitas coisas mudaram. O futebol foi se modernizando e muitos acreditam que deixou de ser apenas um esporte, um momento de lazer e se tornou um negócio altamente lucrativo. Acredito que a principal fonte de renda nos clubes vem através do marketing, pois quando aplicado com sabedoria, o retorno financeiro pode ser bem alto, seja com patrocínios ou atraindo os torcedores.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/
Nuno Leal, em jogo amistoso 2004, no Maracanã
Fonte: http://esporte.uol.com.br/
   
  Em 1996, Marcelo Caldarelli, presidente do Londrina Esporte Clube, resolveu ir com tudo para a disputa do Campeonato Paranaense daquele ano. Além de montar um time competitivo, trabalhou bastante no marketing do clube. Trouxe modelos lindíssimas para atuarem como gandulas, o que agradou bastante os torcedores do LEC que iam ao estádio. Para alegria da torcida feminina, Caldarelli conseguiu algo fantástico. Para comandar o time, trouxe como técnico o ator global Nuno Leal Maia, que fazia muito sucesso na televisão no momento. A mulherada aprovou! Para auxiliá- lo, trouxe também outro ator, Romeu Evaristo, o Saci do Sítio do Pica Pau Amarelo. Isso tudo acabou atraindo muita gente aos treinos e aos jogos do Londrina, sem contar no aumento de patrocinadores.

Serginho  Prestes
Fonte:http://www.marcelodieguez.com.br/
    Conversando com o ex-jogador, que naquele ano atuou pelo Tubarão, Serginho Prestes da Silva, campeão no Grêmio, Fluminense, Coritiba e Pinheiros, me contou que sua passagem pelo clube do interior foi marcante “Londrina é uma cidade fantástica! A torcida é quente, exigente e o time era muito bom. O convívio sob o comando do Nuno foi muito legal”. Um técnico que não entende de futebol, como isso é possível? Prestes contou que muitas vezes, o comandante nem aos treinos ia “Ele tinha dois auxiliares, o Romeu Evaristo, também ator, que não manjava nada e o Severo, ex-atleta do futebol da Paraíba, que mesmo antiquado para época, ao menos fazia um treino normal, digamos assim”. Para o presidente, não importava quem treinava a equipe, e sim, a repercussão que aquilo estava tomando.

   Se não bastasse toda essa estratégia de marketing, Caldarelli resolveu aparecer mais um pouco. Dessa vez, não trouxe nenhum ator, nenhuma modelo, mas prometeu pagar o bicho de jogo (pagamento extra aos jogadores ao vencer determinadas partidas) com boi vivo. Sim, com boi! “Não gostamos nada da ideia, mas o cara era meio maluco. Um maluco do bem”, disse Prestes. Só que tem um detalhe, os bois nem pertenciam a ele. Ele nem tinha fazenda alguma. É claro que isso foi descoberto somente depois. Serginho contou que o presidente chegou a levar os jogadores e jornalistas em três fazendas diferentes para mostrar o “pagamento”, mas alguns membros da equipe já desconfiavam da farsa “A gente já imaginava e ele sabia que a gente já tinha sacado que era papo furado, mas ele era um cara muito carismático e o grupo seguiu em frente”. Resultado, o time ganhava as partidas e não via nada além da cor da bola. Procurado pela imprensa, o presidente alegou que alguns fazendeiros haviam prometido os bois, mas se arrependeram da ideia.


Cuidado com o exagero no marketing