quarta-feira, 25 de março de 2015

ANIVERSÁRIO DO FURACÃO? O BINGA ACENDE AS VELAS

   Há exatos 31 anos, a torcida do Furacão comemorava os 60 anos do Atlético PR. E a festa foi no Estádio Couto Pereira. No dia 25 de março de 1984 o time atleticano recebeu em Curitiba o Operário do Mato Grosso do Sul. O jogo era válido pelo Grupo L, na 2ª Fase do Campeonato Brasileiro daquele ano. O Galo sul-mato-grossense veio a capital paranaense praticamente classificado para a 3ª Fase. Já o CAP, precisava vencer para se garantir na sequência do certame nacional.

   A festa era bonita. Os torcedores atleticanos comemoravam mais um aniversário e, ao mesmo tempo , não escondiam a preocupação de vencer o adversário que mantinha um sequência de três jogo sem perder para o Furacão. Mas em dia de festa, só um personagem peculiar poderia acender as esperanças do torcedor rubro-negro e as velas do bolo de 60 anos. Coube ao centroavante Binga essa incumbência. E ele, literalmente, incendiou a nação atleticana. Marcou o gol da vitória que garantiu o CAP na 3ª Fase do Brasileirão de 84 e completou a festa.

   Na sequência da competição, o Atlético, comandado pelo técnico Paulo Sérgio Poletto, acabou eliminado no Grupo S. Os classificados foram Grêmio e Corinthians. O CAP foi 11° colocado com 21 pontos. Nivaldo e o nosso personagem, Binga, foram os artilheiros da equipe com 4 gols cada.

A base do time atleticano tinha:
Sóter, Mossoró, Detti, Rondinelli, Rafael e João Luís.
Capitão, Amauri, Binga, Nivaldo e Renato Sá.



                          Base do CAP de 1984

Imagem do Livro: Atlético - A Paixão de um Povo. Escrito por Heriberto Ivan Machado e Valério Hoerner Jr. 


Curiosidade: Naquele ano o Atlético conquistou um recorde de 15 jogos sem perder entre amistosos, Campeonato Paranaense e Torneio Dirceu Graeser. A invencibilidade durou de 28 de junho até o dia 05 de setembro de 1984.


quarta-feira, 18 de março de 2015

CALDARELLI, O REI DO GADO

   Desde o surgimento do futebol até os dias de hoje, muitas coisas mudaram. O futebol foi se modernizando e muitos acreditam que deixou de ser apenas um esporte, um momento de lazer e se tornou um negócio altamente lucrativo. Acredito que a principal fonte de renda nos clubes vem através do marketing, pois quando aplicado com sabedoria, o retorno financeiro pode ser bem alto, seja com patrocínios ou atraindo os torcedores.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/
Nuno Leal, em jogo amistoso 2004, no Maracanã
Fonte: http://esporte.uol.com.br/
   
  Em 1996, Marcelo Caldarelli, presidente do Londrina Esporte Clube, resolveu ir com tudo para a disputa do Campeonato Paranaense daquele ano. Além de montar um time competitivo, trabalhou bastante no marketing do clube. Trouxe modelos lindíssimas para atuarem como gandulas, o que agradou bastante os torcedores do LEC que iam ao estádio. Para alegria da torcida feminina, Caldarelli conseguiu algo fantástico. Para comandar o time, trouxe como técnico o ator global Nuno Leal Maia, que fazia muito sucesso na televisão no momento. A mulherada aprovou! Para auxiliá- lo, trouxe também outro ator, Romeu Evaristo, o Saci do Sítio do Pica Pau Amarelo. Isso tudo acabou atraindo muita gente aos treinos e aos jogos do Londrina, sem contar no aumento de patrocinadores.

Serginho  Prestes
Fonte:http://www.marcelodieguez.com.br/
    Conversando com o ex-jogador, que naquele ano atuou pelo Tubarão, Serginho Prestes da Silva, campeão no Grêmio, Fluminense, Coritiba e Pinheiros, me contou que sua passagem pelo clube do interior foi marcante “Londrina é uma cidade fantástica! A torcida é quente, exigente e o time era muito bom. O convívio sob o comando do Nuno foi muito legal”. Um técnico que não entende de futebol, como isso é possível? Prestes contou que muitas vezes, o comandante nem aos treinos ia “Ele tinha dois auxiliares, o Romeu Evaristo, também ator, que não manjava nada e o Severo, ex-atleta do futebol da Paraíba, que mesmo antiquado para época, ao menos fazia um treino normal, digamos assim”. Para o presidente, não importava quem treinava a equipe, e sim, a repercussão que aquilo estava tomando.

   Se não bastasse toda essa estratégia de marketing, Caldarelli resolveu aparecer mais um pouco. Dessa vez, não trouxe nenhum ator, nenhuma modelo, mas prometeu pagar o bicho de jogo (pagamento extra aos jogadores ao vencer determinadas partidas) com boi vivo. Sim, com boi! “Não gostamos nada da ideia, mas o cara era meio maluco. Um maluco do bem”, disse Prestes. Só que tem um detalhe, os bois nem pertenciam a ele. Ele nem tinha fazenda alguma. É claro que isso foi descoberto somente depois. Serginho contou que o presidente chegou a levar os jogadores e jornalistas em três fazendas diferentes para mostrar o “pagamento”, mas alguns membros da equipe já desconfiavam da farsa “A gente já imaginava e ele sabia que a gente já tinha sacado que era papo furado, mas ele era um cara muito carismático e o grupo seguiu em frente”. Resultado, o time ganhava as partidas e não via nada além da cor da bola. Procurado pela imprensa, o presidente alegou que alguns fazendeiros haviam prometido os bois, mas se arrependeram da ideia.


Cuidado com o exagero no marketing


domingo, 15 de março de 2015

A CASA É SUA, OS GOLS SÃO MEUS

   Em um passado não muito distante, 1994, Coritiba e Paraná Clube se enfrentaram no dia 27 de fevereiro pelo Campeonato Paranaense, no Couto Pereira. Mesmo antes do início do jogo, o clima já era de tensão. Durante a semana, o volante Norberto do Coritiba já contava com a vitória da sua equipe, dando declarações que venceriam o clássico, mas os jogadores do Paraná preferiram responder dentro de campo.

   Como todo clássico, podemos dizer que não existia um favorito. O jogo era na casa do alviverde, mas o Paraná Clube tinha um baita time. Além de Saulo, o maior goleador da história do Tricolor com 104 gols em 208 jogos, o elenco tinha outros ídolos do Paraná, como o goleiro Régis, o meio-campista João Antônio e o grande zagueiro Marcão, chamado pela torcida como o “Deus da raça”.

   O primeiro gol da partida foi logo no primeiro tempo, em uma cobrança de pênalti. Saulo, com um chute preciso abriu o placar. Mesmo estando na frente e sendo o visitante, o Paraná continuou indo pra cima. O segundo gol surgiu após Norberto – sim, aquele das declarações – afastar a bola da área e jogar nos pés de Ézio, que dominou e com um belo chute, mandou para o fundo das redes. Paraná 2x0.

   No segundo tempo, o tricolor continuou dando um show dentro de campo. O terceiro gol foi uma verdadeira pintura. Após lançamento de Miranda, Claudinho dominou, fez um belo corte tirando do goleiro, o deixando no chão, chutou no canto e fez um belo gol. E não ficou por isso. Para fechar a goleada, o quarto gol foi marcado por Saulo de cabeça, sem chances para o goleiro alviverde. Final de jogo, Paraná 4x0.

Foto: Print Screen do vídeo abaixo


  Naquele ano, o Paraná, comandado por Rubens Minelli, conquistou o inédito bicampeonato paranaense com 45 pontos. A campanha foi de 18 vitórias, 8 empates e apenas 4 derrotas.



CURIOSIDADE: Saulo, apelidado pela torcida paranista como o “Tigre da Vila”, foi o primeiro jogador a marcar um gol internacional do Paraná Clube. 




segunda-feira, 9 de março de 2015

O CAMPEÃO DE 1989

   Hoje vamos para o ano de 1989. Edição número 75 do Campeonato Paranaense, com a participação de dezoito clubes, seis a mais que o ano anterior. Diferente do campeonato atual, a competição não era de pontos corridos e sim mata-mata. Era feito uma divisão de dois grupos, com três turnos. Os oito melhores classificados iriam para as quartas de final, sendo jogos de ida e volta, depois semifinal e a grande final, que naquele ano foi protagonizada por Coritiba e União Bandeirante.

   Depois de vencer os três turnos, de eliminar a Platinense nas quartas de final e o rival Atlético Paranaense na semifinal, o Coritiba chegou a grande decisão com muita confiança. O time era simplesmente fantástico! Para muitos, foi um dos melhores que o Coxa já teve. A base era formada por Gérson; Márcio, Vica, João Pedro e Pecos; Osvaldo, Serginho, Tostão; e Carlos Alberto; Chicão e Kazu, sobre o comando do técnico Edu Antunes Coimbra, irmão de Zico.

   A decisão do título levou cerca de 28 mil pessoas ao Couto Pereira, estádio que foi palco dos dois jogos da final, primeiro 0x0, já que o União Bandeirante vendeu o seu mando de campo. Foi uma grande festa! No meio da torcida visitante tinha até alguns atleticanos infiltrados apoiando o União.

   O Bandeirante começou o jogo muito bem. Criava boas jogadas que exigiam a boa atuação do goleiro Gérson, que estava super ligado e bem posicionado. Em resposta aos lances de perigo, o Coritiba foi pra cima e após cruzamento de Chicão, Osvaldo balançou a rede, porém, ele estava impedido e o juiz anulou o gol. Final do primeiro tempo e continuava tudo igual.

   Na volta do intervalo, o Coritiba voltou melhor e o gol estava cada vez mais perto de sair. Até que aos 28 minutos após cobrança de escanteio, Chicão de cabeça tocou na bola, e Tostão, o craque do campeonato, abriu o placar com um gol de cabeça. A torcida alviverde foi à loucura! Mesmo tendo jogo pela frente, não segurou o grito de Campeão e começou a dar tchau para a torcida do Bandeirante. 

   O Coxa muito perto do título continuou jogando com muita vontade, buscando ampliar o placar. O União tentava de todo jeito reagir e começou a se arriscar, mas acabou levando um contra ataque. Sozinho, o atacante Kazu carregou a bola em velocidade, e na tentativa de evitar o gol, o goleiro Devanir o derrubou na área. Pênalti! Chicão cobrou com perfeição e marcou o segundo do Verdão. Coritiba 2x0. E por pouco Chicão não marcou o terceiro, já que a bola parou na trave.

   Final de jogo e o Coritiba com uma campanha impecável foi o Campeão Paranaense de 1989, o seu 29º título estadual.

                                                   Veja os gols do Coritiba

Foto:Acervo Helênicos


quinta-feira, 5 de março de 2015

CHAMA O ZIQUITA!

   Para começar a nossa retrospectiva, vamos para o ano de 1978, mais exatamente, para o dia 5 de novembro. Atlético e Colorado se enfrentariam na Baixada, pelo Campeonato Paranaense, valendo vaga na decisão da competição. O jogo prometia emoções, mas os torcedores não sabiam que seriam tantas.

   Começou o jogo e o Colorado era superior. Logo no primeiro tempo, marcou dois gols. Na etapa complementar, mais dois. O Atlético não demostrava nenhuma força para reagir e a goleada do Colorado na casa do adversário ia se concretizando. Mesmo sem o apito final, muitos torcedores atleticanos deixavam o estádio inconformados com o que viam, pois o final do jogo se aproximava e do jeito que as coisas iam, seria impossível reverter àquela situação. Até que o técnico do Atlético, Diede Lameiro, resolveu colocar Ziquita no jogo. Isso não fez com que a esperança do torcedor surgisse, já que ele não era um jogador de destaque, mas nesse dia seria. Aos 30’ de cabeça fez o primeiro gol do rubro-negro. O segundo veio aos 34’ e mais um aos 36’. Quem já tinha saído do estádio voltava correndo para ver o que estava acontecendo, pois ouviam e não acreditavam. E o impossível se tornou inacreditável. Faltando dois minutos para o fim do jogo, de novo ele, Ziquita fez o quarto gol. É isso mesmo! Quatro gols em menos de 15 minutos. E mais, um minuto após o quarto gol, Ziquita quase virou o placar, mas a bola parou na trave. Que jogo! O quinto gol não saiu, assim como o nome de Ziquita na história do Atlético-PR. Foi um empate com gosto de vitória.  

   Após o jogo, o técnico do Colorado, Avelino Mosquito pediu demissão. Já o técnico do Atlético, Diede Lameiro saiu feliz e disse "O Atlético-PR é  força porque é do povo".

   Os torcedores do Colorado ficaram em silêncio, já os atleticanos fizeram festa. Invadiram o gramado e alguns até deram dinheiro para o herói do jogo como forma de agradecimento. Foi uma grande festa! 

Então torcedor, se a situação do jogo não for boa e você ouvir alguém gritar "Chama o Ziquita" você já sabe o porquê.


   O querido Dionísio Filho, ex jogador e comentarista, que infelizmente nos deixou agora em 2015, foi um dos jogadores presentes nessa partida, defendendo o Atlético.